5 de abril de 2011

Tudo sobre o Cordel Encantado! Parte I


O cordel é poesia narrativa popular narrativa, parte da nossa Cultura Popular, que veio para o Brasil na bagagem dos colonizadores portugueses. Em Portugal os folhetos eram expostos para venda pendurados em cordas (ou cordéis), o que deu origem ao nome do folheto de cordel brasileiro, hoje também vendidos em bancadas.
De característica eminentemente oral, somente depois escrito, o cordel se adapta à cultura nordestina formada, por uma população que, na sua maioria, não sabia ler e escrever. Para entender bem como o cordel evoluiu é preciso entender algumas características da época. A princípio a leitura e a escrita no Brasil eram restritas às elites, a minoria. Dessa forma, as tradições da zona rural que concentrava a maior parte da população eram transmitidas oralmente, somente depois escritas e, em rimas, para facilitar a memorização.
Os folhetos eram feitos a mão, um a um, e ilustrados com xilogravuras, uma espécie de impressão inversa como carimbos, a partir de matriz de madeira.  A descoberta da imprensa, por volta de 1439, pelo alemão Johann Gutenberg muito contribuiu para a propagação dos folhetos de cordel no Brasil, ajudando a colocá-los em evidência, mas isto somente contribuiu, pois o que o alavancou mesmo foi a genialidade dos poetas em improvisar redondilhas e rimar versos em narrativas espirituosas e desafios. A tradição do povo nordestino de contar histórias - com as respectivas performances orais - ainda era intensa na primeira metade do século XX, as pessoas se reuniam em casas de conhecidos para ouvirem o contador, muitas vezes um analfabeto de extraordinária memória. Era o melhor e mais apreciado entretenimento.
O auge do cordel se deu entre 1940 e 1950 através da propagação oral das histórias junto à circulação dos folhetos impressos. Isto provocou um movimento educacional e cultural importantíssimo para o povo nordestino que, graças a capacidade de memorização e o grande interesse em conhecer as narrativas na forma escrita, levou muitas pessoas a aprender espontaneamente num processo auto-didático de "ouvir - decorar - ler". Na década de 60 muita coisa mudou e o cordel sofre um declínio causado por vários fatores políticos e sociais. Porém, na década de 70, reascende com o apoio dos interesses e pesquisas universitárias.
Xilogravura de J. Borges
Muitos são os poetas e xilogravuristas que se destacam com o cordel, mas os que se destacam entre os principais  autores do passado são Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e João Martins de Athayde (1880-1959).

Aguardem o próximo post complementando este texto.

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