10 de outubro de 2010

Contribuições de Piaget e Vygotsky para a Educação

Que contribuições conjuntas nos deixam as teorias de Piaget e Vygotsky? Em primeiro lugar, ambas colocam a necessidade de estudar a gênese dos processos mentais, isto é, como esses processos são construídos ao longo da vida do indivíduo. Em Piaget, essa construção ocorre a partir do mecanismo de equilibração e seus dois componentes: a assimilação, no qual o indivíduo atua sobre o meio, transformando-o, a fim de adequá-lo às suas estruturas; e a acomodação, no qual o sujeito é modificado para se ajustar às diferenças impostas pelo meio. Vygotsky explica essa construção através do mecanismo de internalização. Para ele, “no desenvolvimento cultural da criança, todas as funções ocorrem duas vezes: primeiro no nível social e depois no nível individual; primeiro entre pessoas (interpsicológica) e depois no interior da criança (intrapsicológica)” (Vygotsky, 1984, p. 64, grifo do autor).

Pode-se observar do acima exposto, que os dois consideram essa construção como ocorrendo a partir da interação do sujeito com o seu meio. Contudo, enquanto Piaget enfatiza a interação com o meio físico, Vygotsky da ênfase sobre a interação com meio sócio-cultural. Ambos os autores, entretanto, consideram o sujeito como um ser ativo que constrói ou re-constrói seu próprio conhecimento.

Piaget e Vygotsky nos chamam a atenção para a utilização de metodologista de estudo qualitativas na educação. Os dois refutam qualquer explicação de desenvolvimento como mero acúmulo quantitativo de aquisições. O método clínico-piagetiano coloca claramente esse ponto. Investigar o raciocínio do aluno não significa simplesmente dar problemas formais para serem resolvidos individualmente, de forma rígida. Podemos aprender muito sobre o raciocínio da criança, se criamos tarefas, que embora bem estruturadas, não são rígidas em sua aplicação, nem devem ser resolvidas pelo sujeito isoladamente. O experimentador precisa participar com o aluno na resolução do problema. Vygotsky, com seu conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, também nos faz perceber que a avaliação não pode ser um momento isolado e ao final do processo de aprendizagem. Devemos avaliar continuamente, pois o mais importante não é a aprendizagem que já ocorreu, mas, aquela que está acontencendo.

Como os professores podem se utilizar dessas contribuições?

Nos próximos parágrafos, iremos mostrar alguns estudos para tentar esclarecer essa pergunta. Não pretendemos dar respostas definitivas, pois acreditamos ser o processo educacional dinâmico e abrangente, não podendo restringir-se a somente uma visão.

Contudo, esperamos abrir algumas possibilidades para estudar o processo de construção do conhecimento na escola.

Extraído do Texto – Contribuições da Psicologia para a aprendizagem escolar. José Aires de Castro Filho* p. 23, 24 e 25 – Revista de Educação aec

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